terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

87 - Desculpas.

Bianca:_ Você? - O susto foi tão grande que rede virou e eu acabei caindo dela, ele se assustou e correu para o meu lado me ajudando a me levantar.
Rodrigo:_ Você.. tá bem?
Bianca:_ Já superei dores piores, um joelho ralado não é comparado com o que senti nesses últimos anos. - Ele abaixou a cabeça e respirou fundo.Meu joelho ardeu, me sentei no banco de palha e o assoprei, ele tirou do bolço um lenço de pano e o molhou na tornei pequena que tinha ali para regar as plantas.Quando ele se sentou ao meu lado me estremeci toda, não que eu ainda não estava, estava desde o momento que o vi ali na minha frente, por fora eu estava tranquila mas por dentro.. só Deus sabe o que passava em meu coração.
Rodrigo:_ Posso? - Ele espremeu o lenço e apontou para me joelho, concordei com a cabeça e assim que ele colocou em cima ardeu, gemi baixinho ele sorriu com lágrimas nos olhos. - Se não chorar mas tarde te levo na sorveteria e você escolhe quantas a bola que quiser.. - Ele riu e eu acabei rindo também, na verdade, ele sempre falava aquilo quando eu caia ou me machucava por bobeira, e no final, eu sempre escolhia o sorvete de.. - Chocolate com cobertura de morango. - Ele completou, parecia que lia meus pensamentos.Vi ali diante a mim um homem com o rosto cansado pelo tempo, carregando dentro de si uma culpa tamanho sem fim.
Bianca:_ Por que você fez isso comigo?
Rodrigo:_ Filha, eu.. - Ele ergueu a mão para tocar meu rosto mas o abaixou, ergueu novamente para me abraçar mas desistiu.Parecia procurar palavras certas para aquilo, mas não encontrava e nunca encontraria, por que o que fez foi errado e coisas erradas não se cobre com mentiras. - Eu poderia vir aqui, inventar histórias, falar que não foi minha culpa, mas não vou fazer isso.
Bianca:_ Que bom que reconhece que errou! - Falei entre meu choro.
Rodrigo:_ Eu e sua mãe, fomos muito, muito felizes mesmo.Amei sua mãe do tamanho absurdo, mais com o tempo, a rotina caiu na nossa vida.. e parece que a cada dia nosso amor morria e infelizmente eu não fiz nada pra mudar isso! - Ele abaixou a cabeça completamente derrotado. - Eu saia, bebia, me divertia.. - Ele fez aspas na palavra de diversão e continuou. - Mas aquilo não me levou a alegria alguma.. eu me vi perdido, dependente da bebida.. foi ai que conheci a Paola, e.. você sabe.Acabamos nos encontrando todos os finais de semana, depois passou para uma vez na semana e depois eu tinha que ver ela todo dia.E foi ai que apareceu a Karen.
Bianca:_ Karen?
Rodrigo:_ Sua irmã! - Ele foi direto e de alguma forma isso foi melhor, não gostava de enrolações. - E foi ai que caiu a ficha, de tudo que eu tava fazendo, não era justo com você, com seu irmão, com vocês! Ela era uma bebê, uma criança e precisava de mim, decidi ir embora.Sua mãe quis contar a verdade, por que não conseguiria mentir pra vocês.. mas, eu não deixei.Vocês sofreriam mais ainda.. foi ai que inventei essa história de morte.Mas filha, entenda.. não houve nenhum dia da minha vida que eu não pensei em você e seu irmão!
Bianca:_ Você..
Rodrigo:_ Eu sei, foi covardia, frieza.Pensei que conseguiria viver com essa mentira pra sempre, mas não foi assim. Sua mãe me enviava cartas, emails.. a pedido meu, e nelas contava como vocês estavam, e me mostrava fotos.Aliás, sua festa de 15 foi linda sabia? - Ele sorriu. - Tudo como sempre sonhou!
Bianca:_ Não foi como sonhei, faltou você. - Ele engoliu em seco.
Rodrigo:_ Filha, se eu corri atrás de você, é por que preciso de você.. se hoje eu tô aqui.. - Ele se ajoelhou no chão na minha frente. - De joelhos no chão suplicando pelo seu perdão, é por que sem ele eu não vou conseguir seguir a minha vida. - Ele caiu no choro, pegou minha mão e colocou no seu rosto. - Por favor.. eu tô pedindo..
Bianca:_ Ah pai! - Sem pensar duas vezes me joguei em seus braços.Acho que não existe lei da gravidade, palavras, explicações, argumentos e palavras que pudessem descrever o que senti naquele momento.Era como se eu não comece a semanas e colocassem alimento em minha boca, era como se eu não tomasse água a dias e colocassem água em minha boca, era como se eu estivesse deitada em uma cama a anos e me levantei, era como se eu precisasse respirar por aparelhos e pela primeira vez pude sentir o sopro do vento por dentro de mim independente de tudo, era como se eu fosse dependente de uma droga qualquer e tivesse acabado de inalar, era como se eu tivesse acabado de receber a noticia que tinha passado em uma prova mundialmente em que apenas uma pessoa conseguiria passar, era como se eu desejasse aquele abraço durante toda minha vida e tivesse conseguido, mas espera.. eu realmente desejava aquile abraço, ele, aquilo tudo.No momento em que soube de toda a verdade, era como se um buraco tivesse invadido meu peito e não conseguiria mais pensar, agir, viver.A ausência dele me feriu demais, a mentira me feriu demais, a verdade me feriu de mais, mais o amor e admiração pelo grande homem que estava ali nos meus braços em admitir seu próprio erro era maior, era bem maior.Passei minha adolescência toda esperando novamente por aquele abraço que eu julgava como impossível e hoje, acontecia e era realidade, não era mais um sonho que acordava durante as noites chorando e pedindo abrigo no colo da minha mãe, que particularmente era a maior mulher que eu conheci em toda a minha vida, capaz de superar a própria dor, para segurar a dor dos filhos e ampara-los quando na verdade ela precisa de apoio e amparo.Quando soube que ele estava vivo, pensei que não conseguiria segurar aquele barra, aquela decepção, aquela dor, mais as pessoas ao meu lado me deram motivos para continuar e lutar para seguir em frente, e eu consegui, NÓS conseguimos, e cheguei a jurar que não queria nunca mais olha-lo, toca-lo, perdia-lo, mais como? Como se ele era meu herói, apesar das falhas, como se ele era o homem que me concedeu a vida, e apesar de abrir um buraco nela no momento que se foi, ele deu permissão para que ela pelo menos existisse.Ele era meu pai, sangue do meu sangue, parte de mim, e isso erro algum poderia mudar, afinal, quem nunca errou? Nós humanos erramos e aprenderemos com eles, não foi fácil errar sem sentir dor, diria até que é impossível, e mais difícil ainda que errar é assumir o erro e está disposto a recomeçar.
Bruna:_ Agora sim, meu aniversário está completo! - Olhei em volta e vi que todos nos olhavam, aplaudiram com sorrisos nos lábios e a emoção na fala aquele momento.Agora minha mãe estava ali e chorava nos braços da Mari, corri e a abracei.
Bianca:_ Eu consegui mãe, eu consegui! - Apertei ela o máximo que pude.
Fátima:_ Sim conseguiu! Eu disse que conseguiria!
Marizete:_ Agora, chega de choro, vamos comer não é? - Ela enxugou as lágrimas e apontou para a casa. Senti falta do Rafa, olhei em volta e ele estava sentado na rede com as mãos no rosto, chorava baixinho, corri e me ajoelhei na sua frente, ele me abraçou tão forte, que juro ter sentindo meus ossos instalarem não existia sensação fisica melhor que aquela.
Luan:_ Acabou, acabou! - Ele me soltou de vagar e sorriu. - ACABOU AMOR! - Ele me puxou pra dentro da rede e me girou ficando por cima de mim e me beijando em seguida.
Bianca:_ Acabou! - Completei no ultimo selinho.
Luan:_ Você não sabe como eu tô me sentindo.Eu sei o quanto chorou, sofreu, se desesperou com isso tudo e agora.. acabou amor! - Ele tinha um sorriso tão lindo, tão verdadeiro, tão ele.
Bianca:_ Obrigada..
Luan:_ Pelo que? - Ele ergueu a cabeça em meu peito me olhando, levei as mãos até seu rosto.
Bianca:_ Por me dar colo quando eu precisei.. por cuidar de mim.. por ter paciência comigo.. por me proteger.. por me dar forças.. por sempre me acalmar, falar que tudo daria certo.. por me dar motivos para não desistir disso tudo.Se eu estou aqui em pé, feliz, realizada, com o coração em paz foi graças a você, meu amor! - Ele enxugou minhas lágrimas e beijou minha testa.
Luan:_ Jamais deixaria você amor, jamais!
Bianca:_ Eu te amo! - Ele sorriu.
Luan:_ EU, AMO, VOCÊ! - Ele gritou alto, ri e ele me deu um selinho demorado.
Rodrigo:_ Isso é lindo.. - Olhamos juntos e ele nos olhava com um prato de comida em mãos. - Vim chamar vocês para almoçar, mas.. desculpa atrapalhar.
Luan:_ Não, que isso.. - Ele foi saindo de cima de mim super sem graça pelo meu pai nos ver naquela situação, mais eu não deixei, não estavam-os fazendo nada demais. - Desculpa qualquer coisa sogro, se eu..
Rodrigo:_ Luan, você não tem nada que desculpar, eu que agradeço.Agradeço por cuidar da minha filha, por ter ajudado ela quando mais precisou.
Luan:_ Jamais deixaria ela só.
Rodrigo:_ Minha filha namora com um menino de ouro.Aliás..
Luan:_ Ah.. tipo assim cara.. deixa eu namorar com sua filha? - Rimos alto, depois de tanto tempo ele falando aquilo, era um bobo mesmo.
Rodrigo:_ Claro que deixo, lógico! - Ele riu. - Te vi crescer, te conheço, sei que tem juizo de sobra na cabeça.Só tem que se cuidarem, vocês são novos, tem uma vida pela frente.. eu quero ser vô, mais agora tá.. - Eu e Rafa bufamos enquanto saimos da rede.
Bianca:_ De novo? Primeiro a minha mãe, agora..
Luan:_ Pais né? - Saimos de mão dadas rindo atoa.
Rodrigo:_ Ôh gente, eu falei algo de errado? - Rimos mais alto ainda e continuamos andando.
-
Bianca em fim perdoou o pai, o que acharam disso?

13 comentários:

  1. OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONW ACABOU ATÉ QUE ENFIM QUE COISA LINDA @LSmeuamoor_

    ResponderExcluir
  2. Ainda beem que ela perdoou o pai dela :)
    continuaa amorr
    Rackel *-*

    ResponderExcluir
  3. Que lindo esse capitulo e muito bem escrito,parabens!

    ResponderExcluir
  4. Posta maaaaaaaaaaaaaaais *-*
    @PrometeLR ;*

    ResponderExcluir
  5. Ai que lindo ela perdoar o pai
    Posta mais ...Bjs

    ResponderExcluir
  6. Nossa chorei aqui :x

    Muito lindo...Posta mais


    Kelly

    ResponderExcluir
  7. mt mt mt lindooo ;')
    continuaaa
    Bjss

    ResponderExcluir
  8. continuaaaaaaaaaaa *--*
    Bjss

    ResponderExcluir